DEJAVÚ: ZÉ MARANHÃO ROMPE COM RC E REEDITA CÁSSIO EM 2014. LIÇÃO NÃO ASSIMILADA?



O PSDB do Senador Cássio Cunha Lima, como é de conhecimento de toda a Paraíba, ficou na gestão RC até o apagar das luzes em 2014, rompendo então com o Governo do Estado em cima da hora da campanha eleitoral.

Na época, Cássio tinha sete secretários nomeados no Estado, além de inúmeros aliados em postos menores, quase 9.000 comissionados. Como foi previsto, o rompimento provocou a degola de todos estes aliados, fazendo com que muitos procurassem se salvar pulando do barco CCL para o barco RC.

Entendo ser importante, lembrar que a época eu era totalmente contra esse rompimento, sem ter ao menos um contrato com o governo. Mas, apesar de na época já perceber a capacidade estratégica do Governador Ricardo Coutinho numa guerra eleitoral, vim a compreender no final das eleições a real dimensão de sua inteligência política.

O rompimento provocou um enorme desfalque no exército do Senador Cássio Cunha Lima, com consequências importantes como bem se mostrou no resultado do pleito estadual de 2014.

Claro que não foi só isso, RC com sua gestão de obras e projetos para a Paraíba, conseguiu unir uma maioria de prefeitos paraibanos em sua base de apoios no estado.

Isso foi fundamental e acabou com a idéia de que RC só se reelegeria com o apoio de Cássio, como foi no primeiro mandato.

O interessante é que eu estou com uma sensação de Dejavu impressionante...

O motivo?

Bom, o rompimento político anunciado pelo senador e presidente estadual do PMDB, José Maranhão, com o Governo, em convenção no último sábado (30).

Do mesmo modo que Cássio em 2014, Zé Maranhão rompe no apagar das luzes, antes da campanha eleitoral. Com cargos, secretarias e aliados no governo do Estado que também entraram na degola.

Isso faz com que vários aliados saltem do barco ZM para continuar no barco RC.

Não é que eu já vi esse filme?

A diferença de 2014 e 2016 é que o pleito agora é municipal e isso faz com as perdas do PMDB de Zé Maranhão sejam maiores, quando se pensa em 2018. E é bom lembrar que, como Ricardo ressaltou, é preciso analisar o caso de aliados na legenda, a exemplo dos deputados Veneziano Vital do Rêgo e Nabor Wanderley, que não seguiram a decisão partidária. 


Coincidentemente, Zé Maranhão deu uma declaração no último dia 26 de julho, dizendo que o PMDB foi responsável pela reeleição de Ricardo Coutinho. Ou seja, mesma idéia que os aliados de Cássio espalhavam para vitaminar suas negociações e articulações políticas nas eleições de 2014.

Algo não cheira bem nesse rompimento e isso gera perguntas não respondidas com o fato político.

Por exemplo:

- Zé vai perder apoio de aliados que passarão para a base de RC, inclusive caciques do próprio partido.

- Com esse rompimento futuro do PMDB em 2018 se tornou extremamente nebuloso, porque se sabe que no fundo, no fundo, Zé não confia em Cássio, com o qual agora compõe o tal “chapão”, definição a meu ver, totalmente inadequada.

- O povo paraibano elege corruptos com farta votação, como se viu em 2010, mas não elege traidores, como se viu em 2014. E Zé Maranhão, com esse rompimento na última hora acaba de entrar no hall da fama dos traidores na política paraibana.

-Quem será o candidato ao governo do estado do tal “chapão” em 2018? É óbvio que o nome Cássio é o primeiro a ser pronunciado. Mas não é tão simples assim. Porque nessa nova aliança, o “chapão" declara que não há compromissos entre eles para 2018. 


É claro que todos sabemos que essa aliança, não importa quem seja o candidato, é somente para derrubar o grupo do Governador Ricardo Coutinho.

- Então, será que se Luciano conseguir ser reeleito, não terá ambições próprias para o palácio da Redenção? E Cássio, dele a Paraíba sabe que com certeza quer retornar. E Zé Maranhão? O que acontecerá com seu projeto político e o PMDB depois desta aliança tão esquisita quanto incoerente?

São essas as perguntas e a certeza de que, só porque firmou-se uma aliança contra a candidata do Governador, e se deram o pretensioso nome de “chapão", isso não vai garantir em absoluto uma vitória da oposição no pleito de João Pessoa em 2016.

Pior, estou com a sensação incrível de Dejavú. Esse filme eu já vi e a queda mais uma vez poderá ser grande.

É o preço do imediatismo, de não se aprender ou de não preservar a memória de velhas lições.