Em entrevista jornalística concedida no ano de 2017, Julian Assange se referiu ao golpe democrático sofrido por Dilma Rousseff no Brasil em agosto de 2016 e que levou o então presidente interino Michel Temer ao poder.

Segundo Assange, Temer mantinha relações estreitas com a embaixada dos EUA. O fundador do WikiLeaks argumenta que Temer teve reuniões privadas para lhes oferecer "informações de inteligência" e importância política.

Estas reuniões aconteceram quando Temer era vice-presidente de Dilma. Em suma, Temer é denunciado por alta traição prevista na Lei de Segurança Nacional.

A oferta de Temer de informações importantes procurou manter um tratamento benevolente pelos Estados Unidos, uma vez que Dilma foi afastada de sua posição e ele assumiu o Executivo.

Assange disse que não é "que ele esteja dizendo que (Temer) é um espião do governo dos EUA. Não tenho provas de que o pagamento em dinheiro tenha existido. Estamos falando de outra coisa, estamos falando de trocar informações por apoio".

Na época, o governo de Barack Obama apoiou três golpes recentes na América Latina: os de Honduras, Paraguai e Brasil.

Assista a entrevista de Assange ao Blog Nocaute de Fernando Morais:





Somos reais? Ou não?

As mentiras que o governo e a mídia atrelada propagama são reais?

Contradição proposital na pergunta.

Existimos e resistimos a um governo de mentiras.

Existimos e resistimos a mídia de mentiras.

Existimos e resistimos a rede social de mentiras.

Mentiras entrelaçadas em interesses inconfessáveis que escapam verdadeiros entre sexo, mentiras e fakes tapes.

No clip de Arnaldo Antunes, O Real Resiste e existe nas imagens reais e surreais do Mídia Ninja, que vai além do jornalismo, atingindo em cheio a arte verdadeira da resistência e existência.

Com vocês, o vídeo O Real Resiste em Arnaldo Antunes e Mídia Ninja.




Ficha técnica do clipe:

Direção & Edição: Fred Siewerdt

Co-Direção: Marcia Xavier

Imagens: Mídia Ninja

Voz: Arnaldo Antunes

Violão de Nylon: Cézar Mendes

Baixo, Guitarra e Violão de 12 cordas: Dadi Carvalho

Piano: Daniel Jobim

Violão de Aço: Chico Salem

Produzido por Arnaldo Antunes e Gabriel Leite

Edições e Mixagem: Gabriel Leite / Estúdio Casa da Lua

Masterização: Mauricio Gargel Audio Mastering

Produção Executiva e Management: Caru Zilber / Libertà Arte

Gravado no Estúdio Canto da Coruja, por Gabriel Leite, em Piracaia/SP em Julho de 2019.
O TRIO CALAFRIO COMEMORANDO APÓS O GOLPE DE 2016. ANA AMÉLIA, JANAÍNA E MARTA

Nos últimos 15 dias, um assunto tem provocado frisson na militância do PT e também dos protagonistas e eleitores da esquerda.

Uma suposta abertura de Lula a volta de Marta Suplicy ao PT como candidata a prefeitura de São Paulo em 2020.

Oficialmente, na maior cidade do País, o PT ainda procura candidato. Uma ala importante da sigla, liderada por Lula, supostamente investe na volta da ex-prefeita Marta Suplicy.

Eles sabem que a manobra é arriscada, mas acreditam que com o aval de Lula a articulação pode vingar.

Haddad se recusa voltar a ser candidato, pelo menos por enquanto. Em 6 anos foi candidato 3 vezes. Considera muita coisa.

Mas eu digo que se Lula infla a quantidade de votos de qualquer candidato, isso não é garantia de eleger todos os candidatos que apoia.

Foi assim em 2016, como também foi assim em 2018. Claro que cada eleição na sua devida proporção e importância histórica.

E quando o assunto é Marta Suplicy, a coisa fica cabeluda e cheia de pelos pinicantes.

Primeiro porque há uma esmagadora resistência a essa hipótese dentro do próprio PT. Segundo, outros partidos de esquerda que são importantes aliados do PT neste momento, como o PSOL e o PC do B também não apoiarão e não aceitarão Marta.

E finalmente em terceiro, o próprio eleitorado do PT, com certeza, não votará na majoritária do partido em São Paulo que componha com Marta na cabeça de chapa. Se assim é na militância, o que dirá, no campo geral do eleitorado da esquerda.

Será um tiro de calibre .50 no pé que o Lula dará no PT, se realmente ele pensa na possibilidade de Marta ser a candidata do partido nas eleições municipais de São Paulo.

Nem Lula conseguirá o milagre de eleger Marta.

Marta é um cadáver político em condições de putrefação muito maior a que do Aécio Neves, que pelo menos, se elegeu deputado federal, mesmo depois do papelão do golpe de 2016 e do estrago que isso provocou a sua imagem pública.

Marta deixou o PT em 2015, sob fortes críticas ao partido e acusações de que a legenda era corrupta. A ex-petista apoiou de forma enfática o impeachment de Dilma e travou embates no Congresso com a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR).

A imagem dela aplaudindo Janaína Paschoal na hora em que esta recebe flores no Senado, logo após o golpe parlamentar contra Dilma é emblemática e inesquecível para a esquerda.

A atual cúpula do PT resiste ao retorno de Marta ao partido, apesar de o ex-presidente Lula ter declarado recentemente que a ex-petista é bem-vinda e que a legenda está de portas abertas a ela.

A presidente nacional do PT, no entanto, descarta a possibilidade de retorno da ex-petista ao partido. A presidente nacional do PT, no entanto, afirmou que seria possível uma composição com a ex-prefeita, caso ela se filie a outro partido.

Até mesmo uma composição com Marta é complicada. Os eleitores da esquerda a consideram uma traidora, mesmo assim, a tese de alguns petistas favoráveis ao seu retorno a legenda, é de que Marta tem prestígio na periferia de São Paulo.

Não tem. Não foi reeleita ao mandato de prefeita em 2004, e ainda como ficou conhecida como a “Martaxa”. Motivo? Criou em sua gestão, as taxas do lixo e a da iluminação pública, que antes não existiam.

Fato é que, a maioria dos petistas, a maioria dos partidos de esquerda e a maioria dos eleitores da esquerda em São Paulo, tem forte rejeição a Marta Suplicy, para não dizer outra coisa e muito menos, se sentirão representados por ela numa suposta candidatura.

Continuo não entendendo porque a cúpula do PT em São Paulo não aceitam ou não creêm na força de Eduardo Suplicy, o que lhe dá condições de ser um candidato extraordinário a prefeitura de São Paulo.

Além disso, em São Paulo, a esquerda tem nomes como Boulos, Erundina, Haddad, que entre outros e com o apoio de Lula, disparariam nas próximas eleições municipais.

De qualquer modo, antes Eduardo, do que Marta.

Com toda a certeza.




A Promotora com a camisa do Bozo e tirando foto com o deputado que quebrou a placa de Marielle.
A promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, do Ministério Público do Rio de Janeiro, é responsável pela investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes é assumidamente bolsonarista e já postou foto ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), um dos responsáveis por quebrar a placa que fazia homenagem à vereadora.

Uma das postagens da promotora no Instagram, que é fechado, relata seus sentimentos no dia em que Bolsonaro assumiu a presidência.

“Há anos que não me sinto tão emocionada. Essa posse entra naquela lista de conquistas, como se fosse uma vitória…”, diz na publicação de 1 de janeiro de 2019. Em outra foto, ela aparece vestindo uma camiseta com o rosto de Bolsonaro estampado, escrito “Bolsonaro presidente”.

Há ainda outro registro em que a promotora comemora os resultados das eleições de 2018. “O Brasil venceu! 57,7 milhões! Libertos do cativeiro esquerdopata” e também inclui a hashtag “#vaificarpresobabaca”, numa clara referência a Lula.

A pergunta é:
Pode uma promotora, uma servidora pública com estes posicionamentos públicos, ser a acusação em um caso de assassinato, cujas repercussões foram mundiais, em que seu político de estimação é um dos prováveis principais envolvidos?

No caso Jair Bolsonaro ou talvez um de seus filhos.  Isso o Bolsonaro deixou escapar no ataque histérico da live que ele fez depois da matéria do Jornal Nacional, que levou para dentro de sua casa o crime contra Marielle.

E mais, para ela Marielle representa tudo que ela é contra, é uma “esquerdopata”. 

Resumindo, se estadualizado, o caso Marielle tem promotora anti-Marielle, se federalizado, também tem Procurador Geral comprometido com Bolsonaro.

Ou seja, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

A pergunta que se recusa a ser respondida continua:

QUEM MANDOU MATAR MARIELLE?

Quando a resposta verdadeira virá?


A TV Globo levou ao ar explosiva reportagem na noite desta terça-feira (29), no Jornal Nacional, ligando os assassinos da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).


A emissora dos Marinhos fez questão de esclarecer na abertura da matéria que, como o presidente da República foi citado, é dever do Supremo Tribunal Federal (STF) investigar o caso.

A Globo afirmou no Jornal Nacional que o suspeito da morte de Marielle se reuniu com outro acusado no condomínio de Bolsonaro, antes do crime.

Às 17h10 da data do crime, o porteiro do condomínio Vivendas da Barra escreve no livro de visitantes o nome de quem entra, Élcio, o carro, um Logan, a placa, AGH 8202, e a casa que o visitante iria, a de número 58.

A reportagem traz relato do porteiro segundo qual o suspeito, ao entrar, alegou que ia para a casa do presidente e que ao interfonar na “casa 58” atendeu o “Seu Jair”. A casa 58 pertence ao presidente Jair Bolsonaro.

O presidente Bolsonaro também é dono da casa 36, onde vive um dos filhos dele, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC) –conhecido como Carluxo.

Sempre de acordo com o JN, o porteiro explicou que, depois que Élcio entrou, ele acompanhou a movimentação do carro pelas câmeras de segurança e viu que o carro tinha ido para a casa 66 do condomínio. A casa 66 era onde morava Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle e Anderson.

Ainda de acordo com o JN, há uma contradição no depoimento do porteiro do condomínio porque –de acordo com registros– Bolsonaro estava na Câmara neste dia.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) surtou na noite de ontem (29) com a reportagem do Jornal Nacional, da Globo.

Em vídeo publicado nas redes sociais, desde a Arábia Saudita, Bolsonaro acusou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de vazar para a Globo o processo que corre em segredo de justiça.

O presidente da República reagiu gritando e xingando a Globo de “canalha” e que a emissora faz “patifaria” em vez de jornalismo.

“Vocês infernizam a minha vida, porra!”, surtou.

Bolsonaro ameaçou ainda de cassar a concessão da emissora dos Marinho, que vence em 2023, porém o presidente pode resolvê-la em abril de 2022.





Nas últimas duas semanas, uma segunda mancha de óleo surgiu no litoral nordestino, seguindo parte para o sul, atingindo Sergipe e Bahia, e parte para o norte, afetando pela segunda vez as praias de Alagoas e Pernambuco, agora com mais violência. Já são mais de 200 praias atingidas na região. Aos impactos ambientais e turísticos se somam os impactos social e econômico na vida de pescadores, marisqueiras e outros trabalhadores cujo sustento depende do mar. Os 70 municípios nordestinos afetados pelo óleo somam quase 150 mil pescadores artesanais, segundo dados da secretaria de pesca do Ministério da Agricultura. 

O trabalho dessa população já está afetado em médio prazo e, de imediato, muitos sequer podem ir para o mar. É o que conta Arlene Maria, pescadora e presidenta da Colônia dos Pescadores de Sirinhaém, município no litoral sul de Pernambuco. Parte deles já estão há mais de 15 dias sem irem ao mar. "Os que pescam 'de rede' já pararam desde antes do óleo chegar aqui. Quando vimos as notícias do óleo em Alagoas, passamos a evitar, por medo que as redes sejam atingidas pelo óleo. Se isso acontece, fica inutilizada", conta Arlene.

Situação similar vive São José da Coroa Grande. A presidenta da Colônia local e vereadora pelo PCdoB Enilde Lima garante que no município há próximo de 3 mil pessoas que vivem da pesca de peixes, crustáceos e mariscos. "É gente que vive exclusivamente da pesca. Não tem outra renda".

Em Tamandaré, o secretário de Meio Ambiente, Manuel Pedrosa, afirma que ainda não há barreira de contenção no seu litoral. "Ainda estamos tentando apagar incêndio, limpando as praias e fazendo o monitoramento com embarcações e redes doadas por pescadores", disse, sem esconder a precariedade do trabalho.

Na colônia de Sirinhaém são mais de 1.500 trabalhadores e trabalhadoras, divididos em algumas categorias por tipo de pesca. Os trabalhadores de barcas menores, que pescam camarão e peixe com redes de arrasto, passando apenas uma noite fora ou voltando no mesmo dia, são os imediatamente mais afetados.

Outros pescadores seguem se arriscando na atividade, são os chamados pescadores "de linha", aqueles com barcos maiores e que fazem incursões de até sete dias em alto mar, buscando espécies como dourado e cavala. Mas nem estes estão seguros por muito tempo. "Mesmo os pescadores 'de linha' nós não sabemos até quando conseguirão trabalhar, porque o óleo pode ter atingido os recifes de corais, onde os peixes se alimentam", diz a pescadora, lamentando não saber quanto tempo leva para os corais se recuperarem. "Quando o óleo se acabar, o problema para os pescadores ainda vai continuar", completa.

Arlene Maria critica que órgãos públicos e imprensa focaram inicialmente no impacto turístico. "A gente fica sem saber a quem recorrer e nem qual será a nossa situação. Os governos não se pronunciam sobre isso", reclama, fazendo uma ressalva ao Instituto Agronômico de Pernambuco (IRPA), órgão da Secretaria de Agricultura de Pernambuco. "Só o IRPA falou, emitiu uma nota técnica falando sobre como isso afetou a vida dos pescadores, para tentar que recebamos seguro", disse Arlene.

O benefício mencionado é o seguro-defeso, auxílio previdenciário no valor de um salário mínimo para os pescadores que ficam impossibilitados de desenvolver suas atividades durante o período de reprodução das espécies. O Ministério da Agricultura confirmou o pagamento de uma parcela extraordinária do seguro para 60 mil pescadores nordestinos. No entanto, só garantiu, até agora, esta única parcela. "Mas o ambiente vai demorar muito mais para se recuperar", ponderou a pescadora.

Arlene Maria acredita que a médio prazo a pesca de camarão não será muito afetada, "mas a de peixes e lagostas sim, e muito". Em São José, uma barreira foi colocada na entrada do rio Una para impedir a contaminação do estuário, de onde duas comunidades extraem marisco, sururu, caranguejo e peixe tainha. A proteção, no entanto, tem impedido que pescadores consigam sair para pescar. "Isso impacta a economia do município inteiro", lamenta Enilde.

O secretário de meio ambiente de Tamandaré, Manuel Pedrosa, classifica o óleo no mangue como inimigo invisível. "A poluição causada pelo piche é muito danosa àquela biodiversidade do manguezal. As raízes das árvores estão repletas de óleo. Manuel explica que a limpeza dos manguezais é mais difícil que na praia.

Segundo o Governo de Pernambuco, foram afetados os estuários dos rios Persinunga (São José da Coroa Grande), Formoso (Tamandaré), Mamucabas (Barreiros) e Maracaípe (Ipojuca). Foram instaladas barreiras de contenção para impedir nova entrada de óleo nas fozes dos rios Persinunga (São José da Coroa Grande), Una, Mamucabas (ambos em Barreiros) e na foz do Maracaípe (Ipojuca).

A professora Beatrice Ferreira, do departamento de Oceanografia da UFPE, avalia que, diante do que se sabe até agora, o grupo mais afetado é o que pesca nos manguezais, aí incluso as marisqueiras. "Temos que avaliar o que conseguiremos remover e o que teremos que conviver, com os impactos que haverá para quem trabalha e se alimenta disso e por quanto tempo os impactos serão sentidos", pontua.

Poder Público

Na última segunda-feira (21) as unidades da Justiça Federal em Pernambuco e Alagoas, atendendo a solicitação do Ministério Público Federal, determinaram que o Governo Federal realize imediatamente a implantação de medidas para conter o óleo e reparar os danos já causados. A principal preocupação da ação é proteger estuários, manguezais e áreas de desova de tartaruga marinha e de proteção de peixes-boi, além das áreas de preservação ambiental. Já se aproxima de 70 o número de animais encontrados cobertos pelo óleo.

Segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), o óleo navegou abaixo da superfície da água por muitos quilômetros, não podendo ser avistado por satélite, o que dificulta descobrir quando o vazamento teve início e de onde veio o óleo. Como parte do material vem por baixo da superfície, as barreiras de contenção - ainda segundo o Ibama - têm se mostrado insuficientes para impedir a chegada do material. Com pouco apoio do Governo Federal, o Ibama liberou apenas R$8.500 por mês para as unidades locais do órgão nos estados afetados adquirirem itens de segurança.

Investigações

Ainda não se sabe a origem do óleo, que tem características similares ao petróleo venezuelano. A principal suspeita é que, como os Estados Unidos impôs um embargo econômico ao país sul-americano, as empresas que realizarem compras de petróleo da Venezuela podem ser punidas pelos Estados Unidos. O que algumas empresas e países fazem é contratar serviços de intermediários, barcos "fantasma", que desligam seus localizadores para não serem percebidos nos radares. Esses barcos compram o petróleo da Venezuela e revendem para esses países.

A Marinha do Brasil afirma que a investigação, neste momento, está focada em 30 desses "navios fantasma" de 10 países diferentes que passaram próximos à costa brasileira no período próximo ao início da chegada do óleo, ainda em agosto. Mas a Marinha reconhece que qualquer um dos outros 970 navios que também passaram próximos à costa pode ser o autor do crime ambiental. O comandante da Marinha, Barbosa Júnior, disse ainda que não há nada que indique o envolvimento do governo da Venezuela no derramamento de óleo.

Por Vinícius Sobreira
Edição: Monyse Ravenna
Publicado originalmente no Brasil de Fato 
Fonte: Conexão Jornalismo


O Sindicato dos Motoristas da Paraíba paralisou as frotas de ônibus da grande João Pessoa na segunda-feira (21), na semana passada.
Mas ao invés de responsabilizar os seus patrões, que são os pagadores, responsabilizaram a população e os aplicativos de transporte.
O Sindicato fez o mesmo discurso das empresas de ônibus, dizendo que o sistema de transporte estava falido.
Segundo o Sindicato, em 1990 havia 50 empresas, sobrando 10 hoje, das quais 90% estão falidas.
Só esquecem que se hoje diminuiu o tamanho das empresas, isso é resultado de fusões, compra e vendas de empresas de ônibus. Não houve diminuição das linhas em João Pessoa, pelo contrário, aumentou.
E como podem estar quebradas empresas que em todas as eleições municipais doam aos candidatos de suas preferências, gordas e milionárias quantias?
Por isso a paralisação e o discurso que a defende não bate.
As empresas de ônibus usam seus funcionários para pressionar o poder público a aumentar as passagens fora da época, a diminuição dos impostos devidos e a não exigência da renovação obrigatória e legal da frota.
E chegam ao absurdo de segurar o salário dos motoristas e trocadores, e que se deixam manipular pelo Sindicato.
Aplicativos não chegam a mexer com o faturamento de ônibus na capital, simplesmente porque 90% dos usuários destes apps não tem o perfil de usuários de ônibus que usam o Passe Legal.
Aplicativos interferem somente no mercado dos taxistas. Já é outra coisa.
Já está mais do que na hora para o Ministério Público fiscalizar as paralisações e as revindicações das categorias de trabalhadores e empresários do transporte coletivo.

Afinal, a concessão é pública.

E no apagar das luzes, o principal prejudicado continua sendo o usuário do sistema que pagará duas vezes. Pagará o aumento das passagens e a diminuição dos impostos municipais.

Afinal, é dinheiro público e que também sai do bolso do trabalhador.

Uma coisa a gente precisa reconhecer: Bolsonaro é um cara engraçado.

Do alto da sua impopularidade e da capacidade mínima de montar um ministério que seja pelo menos ruim, o mais chucro dos presidentes da história do Brasil, quiçá do planeta, fez críticas ao povo argentino por ter eleito no primeiro turno os candidatos de centro esquerda Alberto Fernández e Cristina Kirchner mandando assim, para o esgoto da história, o preferido do presidente brasileiro, Maurício Macri.

Bolsonaro, desta maneira, consegue se tornar uma unanimidade em apostar mal as suas fichas: perdeu quando lançou apoio ao primeiro ministro de Israel, Benjamin Natanyahu, que deixou o poder. Em seguida, apoiou em Portugal o ultraliberal PRN que terminou com 0,3% dos votos. Não satisfeito, agarrou-se a Donald Trump tratando o presidente americano como seu avalista político. Trump responde a duro processo que pode resultar no seu impeachment.

Na Argentina, Bolsonaro posou ao lado de Maurício Macri e criticou os concorrentes. Não deu outra: a oposição venceu no primeiro turno. A última chance de Bolsonaro fazer um gol a favor - depois de quatro contras, será no Uruguai. Lá, após a eleição deste domingo, haverá segundo turno. Mas a Frente Ampla, no poder há 15 anos, terminou a eleição com expressiva vantagem:40 a 20. Mas os partidos de oposição deverão se unir no segundo turno.

Bolsonaro disse, em entrevista, que os argentinos "votaram mal" e reclamou que o presidente eleito fez um discurso destacando a inocência de Lula e pedindo sua libertação. Segundo Bolsonaro, ele não irá cumprimentar o vencedor pelo resultado.

Sua fala foi criticada por amplos setores políticos e da diplomacia. Ciro Gomes, que tem relativizado as bobagens ditas pelo presidente, desta vez reagiu:

"Quando Bolsonaro vai deixar de colocar as baboseiras que pensa acima dos interesses do Brasil?"

Bolsonaro ainda guardou outro pote de sandice: disse que pode tentar excluir a Argentina, a maior parceira comercial do Brasil no continente, do Mercosul.

Nas redes sociais a fala de Bolsonaro, um especialista em gente que vota mal, afinal a turma votou nele, provocou mais galhofa do que indignação. O pior é que ninguém mais consegue levar à sério o presidente do país. 

Fonte: Blog Conexão Jornalismo



Um dos grandes pensadores da Educação no país, ao lado de Anisio Teixeira e Paulo Freire, Darcy Ribeiro teria completado no último sábado 97 anos de idade. Embora "Imortal" da Academia Brasileira de Letras, Darcy nos deixou em 15 de março de 1997 quando exercia o mandato de Senador da República e escrevia livros para deixar para a história: O Povo Brasileiro, Diários Índios, O Brasil Como Problema e Noções de Coisas.

Darcy foi o grande criador da escola em turno integral no Rio de Janeiro em um período, década de 80, em que previra que o Rio se tornaria inviável caso os jovens daquela época não tivessem acesso a um ensino de qualidade:

- Ou educamos nossas crianças agora ou em 30 anos estaremos correndo de pivetes nas ruas.

Ele acertou: Corremos de pivetes nas ruas.

O programa dos Cieps foi desmontado pelo sucessor de Brizola, Moreira Franco, sob o argumento de que era caro:

- Cara é a ignorância - defendia-se Darcy.

O também professor, Chico Alencar, lembrou o dia de aniversário de Darcy: na sua página do Facebook.:

"Se vivo estivesse, #DarcyRibeiro estaria completando 97 anos. Ele também é autor da célebre frase: "A crise da Educação no Brasil não é uma crise, é um projeto". Para grande parte da população, a Educação brasileira fracassou. Mas para a elite classista e oligarca dominante, que deseja manter o povo alienado, submisso e manipulável, a precarizada educação direcionada aos pobres é um sucesso, pois cumpre com seu papel limitante e aprisionador.

Visionário, Darcy Ribeiro sabia, já nos anos 1980, o que o futuro nos reservava caso continuássemos trilhando este caminho perverso. Os Cieps são um dos grandes legados deste educador. Um projeto de nação com objetivo de levar Educação inclusiva, gratuita e de qualidade a todas as crianças. Esse é o Brasil que queremos. Seguimos na luta. Darcy Ribeiro vive em cada um de nós que eterniza seu legado!"

Minibiografia:

Mineiro de Montes Claros, caboclo namorador, Darcy Ribeiro passou mais de uma década vivendo com os índios brasileiros. Foi um dos grandes nomes do governo João Goulart e por isso acabou exilado após o golpe militar. No exterior foi responsável pela construção e instituição de universidades. É o maior criador de escolas da história do Brasil - ao lado de Lula. Foi considerado pela ONU uma das cem maiores inteligências mundiais do seu tempo. Diante do seu exílio, uma alta comissária da instituição disse a um dirigente brasileiro na ditadura:

- Imagino que o Brasil seja um celeiro de grandes cérebros, intelectuais, pensadores e cientistas. Para abrir mão de um homem como Darcy Ribeiro fico a imaginar o nível dos cidadãos que os senhores mantém por lá.

Fonte: Conexão Jornalismo




Morreu na madrugada de hoje (24), na capital paulista, aos 74 anos, o cantor e compositor Walter Franco. Há 15 dias o cantor sofreu um acidente cardio-vascular e passou por tratamento paliativo. O velório está sendo realizado na Funeral Home, em São Paulo, até as 19h. Em seguida, o corpo será levado para cerimônia de cremação no Crematório de Vila Alpina.

O mais bendito dos chamados malditos da MPB, Walter Franco era um paradoxo. Um artista tranquilo, sereno, sempre bem-educado, boa-praça, mas capaz de despertar polêmicas e reações furiosas. Como as estrondosas vaias que o consagraram em 1972, no Festival Internacional da Canção. Foi ali que apresentou "Cabeça", uma música adiante de seu tempo.


Franco nasceu em São Paulo e estudou na Escola de Arte Dramática, onde se formou. Sua carreira começou com a composição de trilhas para peças teatrais, como O Contador de Fazendas, dirigido por Dulcina de Moraes e Os Olhos Vazados, dirigido por Emílio de Biasi.

Ficou conhecido no período dos festivais com a primeira canção, Não se Queima um sonho, apresentada por Geraldo Vandré.

A música Cabeça, é uma música totalmente fora dos padrões da época, baseada em vozes superpostas e repetições de fragmentos da letra, quase incompreensível.

Em 1974, inaugurou outro procedimento que seria uma marca de seu trabalho. No show A Sagrada Desordem do Espírito apresentava-se só no palco, na posição da Flor de Lótus, com seu violão. Em 1975, participou do Festival Abertura, com a música Muito Tudo, em homenagem a João Gilberto e John Lennon.

Em 1976 lançou o disco Revolver, considerado uma obra prima, por ter uma musicalidade próxima ao rock. Em 1978 lança Respire Fundo, disco que teve a participação de mais de 200 músicos como João Donato, Sivuca, Wagner Tiso, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Lulu Santos, Geraldo Azevedo, entre outros.

No Festival da Tupy de 1979, apresentou a música Canalha e conquistou o segundo lugar. A canção aparece no disco Vela Aberta, lançado em seguida. Em 1981 participou do festival MPB-Shell, com a canção Serra do Luar, com arranjos de Rogério Duprat. Essa versão foi registrada apenas no disco do festival e a música fez grande sucesso posteriormente em uma gravação de Leila Pinheiro.

Em 1982 lançou o disco Walter Franco, e em 2000 Tutano, no qual apresenta um repertório inédito em músicas como Zen e Gema do Novo e Acerto com a Natureza (com Cristina Villaboim) , Nasça (com Arnaldo Antunes), Totem (com Costa Neto), além da releitura de Cabeça, Distancias e Muito Tudo e outras canções.

No mesmo ano recebeu uma homenagem com o documentário Muito Tudo, dos jovens cineastas Bel Bechara e Sandro Serpa , destaque da mostra de audiovisual do MIS (Museu da Imagem e do Som) e vencedor do Festival É Tudo Verdade. Em 2015, Franco comemorou 70 anos de vida e sua volta aos palcos e relançando o álbum Revolver, após 40 anos.